sábado, 14 de março de 2009

História comum - Parte I

Acordei com o sol fraco e muito amarelo faiscando suave pela fresta da cortina azul marinho. Era inverno, apesar de nada indicar isto. Coloquei meus jeans preferidos e confortáveis, uma camiseta branca, aquele All Star que um dia já foi branco, amarrei meu casaco azul na cintura e saí.
Eu caminhava pelo parque alheia a tudo ao meu redor, os peixes da lagoa, os rostos que passavam em volta sempre apressados. Em meu pensamento o "nada", não pensava em escola, trabalho, futuro, e assim não pensando em nada de repente um tropeço, antes de cair no chão algo me envolveu e segurando-me olhou nos olhos. Moreno claro, não tão alto, olhos esfuziantes, cabelos despenteados e muito pretos, as maçãs do rosto bem acentuadas, um queixo firme e levamente quadrado.
Nem percebi que ele havia me colocado de pé novamente, e também não reparei que eu olhava tão fixamente seus olhos, que agora me analisavam.
- Perdão, estava destraída.
- Hmmm, tudo bem mas não precisa me pedir desculpas você tropeçou nos próprios pés, eu acho - disse ele sorrindo - Teve sorte do meu reflexo estar bom, ainda mais a esta hora da manhã.
- Então, obrigada - disse mostrando meu sorriso de agradecimento, que mais parecia um sorriso de encantamento.
- Se precisar de alguém para te segurar denovo, foi um prazer. - falou num tom de deboche misturado com simpatia.
Me perguntei se ele estava flertando comigo ou se estava debochando de mim por ser tão desastrada, não consegui pensar no que dizer e só balancei a cabeça assentindo uma vez e dei um sorriso tímido, quando me preparava para virar as costas no intuito de continuar com aquela caminhada sem motivação. Foi então que ele segurou meu braço com firmeza, mas sem me machucar.
- Ei! Meu nome é Beni, qual é o seu? - sorriu simpaticamente.
- Er... Mabel.
- Está indo para onde, quer uma carona? - apontando para uma bicicleta recostada num banco a alguns metros de distância de nós.
- Não vou a lugar nenhum, só estou andando.
- Quer companhia ou é uma caminhada solitária?
- Você sempre faz tantas perguntas assim?
- Desculpe, acho que fiquei meio apressado de repente. - disse ele meio sem graça.
- Não quis parecer rude. - na verdade quis só um pouco, afinal não sei quem ele é, e ele já quer saber para onde vou, porque vou. E se ele for um maníaco? Psicopata, tarado? Mas então olhei novamente seus olhos e desisti de qualquer dessas hipóteses.
- Eu não costumo ser assim tão apressado, mais uma vez me perdoe. Sempre estou por aqui nesse horário, se por acaso quiser me ver novamente, apareça. Prometo não ser assim tão invasivo. - ele se virou caminhando lentamente até a bicicleta, levantou-a e saiu caminhando carregando-a de lado.
- Tchau. - disse por fim, mas já era tarde para que ele ouvisse.
Continuei a caminhada por alguns minutos mais, mas agora minha mente estava cheia de perguntas sem respostas e hipóteses variadas.
- Vou vê-lo denovo? - sussurei para mim mesma no caminho de volta para casa.

3 comentários:

Paixão, M. disse...

ah, mas vai sim! que eu quero ver como essa história se desenrola ;)


bonita, obrigada sempre pelas palavras e pelo carinho! muito muito bom ter amigos como você, que dão apoio incondicional. a gente se sente forte e segura.

beijos!!

Rose Tunala disse...

Olá Daniella.
Gostei de vir conhecer seu blog.
Sou também de Cachoeiro, convido vc a vir também conhecer um pouquinho de meu trabalho.

Beijos

Jessica. disse...

Ué!
Volta lá menina!
ahiehaiuehaiuehaiueu

Beijo